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Fibromialgia: Mitos e Verdades

1) Não existem exames que confirmem o diagnóstico da fibromialgia.
VERDADE: a doença não será detectada em exames como radiografia, ressonância magnética ou simples testes de sangue ou urina. Por isso, a experiência clínica e a habilidade do profissional são importantes para descobrir o problema e indicar o tratamento adequado. “Na verdade, os exames são utilizados para descartar outras doenças que podem ser confundidas com a fibromialgia, como hipotireoidismo ou polimialgia reumática”, ressalta o professor Moisés Cohen, chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologista da Unifesp. “Espera-se que o indivíduo apresente áreas diferentes de dor, em associação a outras expressões da síndrome, para se firmar o diagnóstico”, completa a médica Suely Roizenblattem, especialista clínica médica e reumatologia, . “Foram definidos 18 pontos e, para se confirmar a existência da moléstia, é necessário ter hipersensibilidade dolorosa em pelo menos 11”, conclui o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos, responsável pelo Ambulatório de Dor do Hospital São Camilo

2) A fibromialgia é uma forma de artrite.
MITO: como não causa inflamação ou dano a articulações, músculos, tecidos ou órgãos, não pode ser considerada como uma manifestação de artrite, embora frequentemente esteja associada a ela. De qualquer forma, vários sintomas são comuns aos dois males, como problemas de concentração e memória, dor de cabeça, formigamento nas extremidades, dormência nos membros e transtornos de humor

3) Não se sabe, ainda, por que a fibromialgia acontece.
VERDADE: os estudiosos acreditam que alguns fatores, isolados ou combinados, favorecem o problema, como mudanças hormonais, lesões repetitivas ou traumas emocionais. Sedentarismo, tensão, ansiedade e depressão seriam outros gatilhos para o problema. “Recentemente, foram identificados três genes que aumentariam o risco de uma pessoa ter fibromialgia. Tais genes também estariam relacionados com doenças inflamatórias como a febre familiar do mediterrâneo, de manifestações semelhantes”, informa a reumatologista Suely Roizenblatt. De qualquer forma, é consenso na classe médica que ainda faltam pesquisas para confirmar a relação com fatores genéticos ou hereditários

4) A doença ataca mais as mulheres.
VERDADE: acredita-se que 80% a 90% dos casos sejam de pessoas do sexo feminino, sendo que o pico da doença se dá entre os 30 e 50 anos. “As mulheres de meia idade são três vezes mais vulneráveis do que os homens por questões ligadas à sua constituição física e a aspectos hormonais, neurológicos e emocionais. Elas tendem a passar 70% do seu dia em atividades que apresentam baixo dispêndio de energia e seu sistema musculoesquelético é mais frágil do que o dos homens. Embora existam controvérsias, o estrógeno parece estar envolvido nas manifestações, de modo que as mulheres apresentam acentuação dos sintomas de dor na primeira fase do ciclo menstrual. Quando chegam à menopausa, pioram as queixas de dor e de distúrbios do sono e de humor”, salienta a reumatologista Suely Roizenblatt. No que se refere ao sistema nervoso, as mulheres produzem menos serotonina, neurotransmissor ligado à suscetibilidade à dor. “Além disso, as áreas de processamento da dor são diferentes nos dois sexos, o que pode contribuir para a conificação, nelas, dos sintomas”

5)A fibromialgia é uma doença pouco conhecida.
VERDADE: embora afete cerca de 3% da população brasileira (ou 5 milhões de indivíduos), permanece desconhecida pela maioria. E isso não só aqui como também no exterior: pesquisa do Instituto Harris Interactive, nos Estados Unidos, mostrou que 75,3% dos pacientes nunca tinham ouvido falar do mal até receberem o diagnóstico.

6)A depressão está associada à fibromialgia.
PARCIALMENTE VERDADE: embora ainda faltem estudos para apontar as causas da doença, os estudiosos acreditam que a depressão é um dos fatores que podem desencadeá-la. “E, após o diagnóstico, por sentir dor e desconforto em vários locais do corpo, além de alterações no sono e outros sintomas, o paciente não raro sofre com este transtorno”, diz o médico Cláudio Correa, coordenador do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital Nove de Julho. Segundo um artigo clássico do pesquisador Don Goldenberg, reumatologista chefe do Newton Lower Falls de Massachusetts (Boston, EUA), entre 50% e 70% dos fibromiálgicos têm ou tiveram no passado síndrome de fadiga crônica, síndrome do intestino irritável, enxaqueca ou depressão. “É importante que o portador mantenha uma vida produtiva em todas as esferas – pessoal, social e profissional -, completa o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos

7) O tratamento da doença deve ser multidisciplinar.
VERDADE: conforme salienta o neurocirurgião Cláudio Correa, a terapêutica de qualquer dor crônica é multiprofissional – envolve enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos – e multidisciplinar, exigindo o acompanhamento de neurologistas, psiquiatras, fisiatras, reumatologistas, neurocirurgiões e outros especialistas. “O que se busca é aliviar os sintomas e reintegrar o paciente às suas atividades habituais. Não se trata de perseguir a cura, pois não se conhece a causa exata da enfermidade. Porém, é fundamental que o indivíduo entenda e aceite as terapias propostas, já que sua adesão ajudará no êxito aos objetivos propostos”

8) Várias terapias, em conjunto, ajudam a tratar o distúrbio.
VERDADE: a síndrome fibromiálgica é tratada com remédios, como antidepressivos e anticonvulsivantes (moduladores do sistema nervoso, incluindo inibidores da dor), analgésicos anti-inflamatórios, opioides (também analgésicos) e/ou neurolépticos (inibidores de funções psicomotoras), além de psicoterapia. Também é possível associar acupuntura, quiropraxia, Reeducação Postural Global, pilates, natação, hidroginástica, hidroterapia e massagens. “Hipnose e técnicas complementares envolvendo biofeedback, método de treinamento psicofisiológico por meio de equipamentos eletrônicos, vêm sendo propostas”, diz o neurocirurgião do Hospital Nove de Julho. O biofeedback inclui diferentes procedimentos de conscientização e relaxamento, envolvendo músculos, respiração e funções cognitivas. “Eventualmente, o implante de sistemas de infusão de drogas pode ser feito em pacientes resistentes aos tratamentos já citados. Tais mecanismos liberam opioides no sistema nervoso central, drogas de elevado potencial analgésico, permitindo alívio da dor em intensidade significativa e consequente melhoria na qualidade de vida”

9) O tratamento não precisa ser individualizado.
MITO: em 2008, a Liga Europeia Contra o Reumatismo (Eular), entidade que estabelece recomendações para diferentes doenças reumatológicas, estabeleceu que, no caso da fibromialgia, tudo deve ser delineado mediante discussão com o paciente. Isso porque o objetivo não é apenas aliviar os sintomas, mas, sim, controlar a doença e melhorar a qualidade de vida. “A escolha do que fazer deve levar em conta a intensidade da dor, as limitações do indivíduo e os contextos psicossocial e cultural”, destaca a reumatologista Suely Roizenblatt, que recomenda suporte psicoterápico ou terapia cognitivo-comportamental para ajudar no aspecto emocional.

10) Há novidades, em termos de medicação, para tratar o distúrbio.
VERDADE: “Novos fármacos, que atuam no aumento da disponibilidade de serotonina e noradrenalina no sistema nervoso central e, assim, minimizam a dor e restabelecem a disposição, têm sido estudados, mas ainda não estão disponíveis no Brasil. Alguns medicamentos, classificados como antiepilépticos, vêm sendo utilizados para aprofundar o sono, da mesma forma que os hipnóticos. Drogas antiparkinsonianas também são indicadas em casos de dor associados a distúrbios do sono, como a síndrome das pernas inquietas. Unir remédios de diferentes potências analgésicas é outro bom caminho. Já corticoides e opioides fortes não são recomendados”, afirma a reumatologista Suely Roizenblatt. Segundo estudos, a apneia do sono, caracterizada pela obstrução das vias respiratórias, é mais frequente em mulheres na pós-menopausa que apresentam a doença. “O uso de aparelhos para diminuir a apneia promove sono de mais qualidade e abrandam a dor nessas pacientes. Além disso, observou-se que a fibromialgia aparece mais em indivíduos vespertinos (que desempenham melhor suas funções à tarde), e que as manifestações podem ser agravadas quando estes necessitam executar tarefas matutinas, pela manhã”.

11) Quem tem fibromialgia não pode praticar atividade física.
MITO: porém, atenção: o exercício deve ser supervisionado e realizado com uma progressão de carga mais lenta do que o habitual. “É possível que o paciente piore nas primeiras semanas, até o corpo se acostumar. Mas é importante que não se sinta desmotivado e insista, pois os benefícios em breve aparecerão. A ginástica deve ser vista como um remédio, a sensação de bem-estar será progressivamente maior”, salienta Robson Donato de Souza, personal trainer da Academia Competition (SP). Segundo ele, estudos mostram que os aeróbios reduzem a dor, o número de pontos incômodos, a ansiedade e a depressão, influenciando diretamente na qualidade de vida. “Por isso, são os mais recomendados para portadores dessa patologia. Eles devem ser realizados três vezes por semana, de forma leve a moderada, de modo que não se tornem desconfortáveis e não estimulem a interrupção da atividade”. De acordo com a reumatologista Suely Roizenblatt, também é bom realizar movimentos musculoesqueléticos pelo menos duas vezes por semana em programas individualizados. “Espera-se que o exercício atinja o ponto de resistência leve, não o ponto de dor. Aulas na piscina aquecida e movimentos de fortalecimento muscular e alongamento são igualmente indicados, assim como reabilitação, tai chi chuan e relaxamento”. Wilson Rondó, cirurgião vascular especializado em medicina preventiva, defende a combinação de treino aeróbio e alongamento. “Pesquisadores de Harvard (EUA) avaliaram que, depois da prática de exercícios por 20 semanas, as mulheres apresentavam uma melhora da resistência física e força muscular, havendo atenuação dos sintomas como dor, fadiga, rigidez muscular e depressão”.

12) Técnicas de relaxamento são recomendadas.
VERDADE: investir em relaxamento e respiração alivia o quadro de dor, estresse, depressão e insônia ou noites mal dormidas. Vale, ainda, ter uma vida equilibrada, com horários determinados para trabalho, lazer e sono. E é bom relaxar não apenas fisicamente como também mentalmente. “A combinação de fisioterapia com terapia ocupacional é benéfica, pois leva o sujeito a administrar a dor e se equilibrar, com períodos de atividade e descanso”, assegura o professor Moisés Cohen, chefe do departamento de ortopedia e traumatologia da Unifesp. Segundo ele, é imprescindível manter uma rotina de horas de repouso para aliviar a dor e a fadiga que vêm a reboque da doença. Caso a pessoa apresente disfunções que dificultam a noite reparadora, como síndrome das pernas inquietas ou irregularidade das ondas cerebrais, será preciso conversar com o médico para os devidos tratamentos.

13) A dança do ventre melhora dor e outros sinais.
VERDADE: estudo apresentado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em 2008, durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, mostrou que a dança do ventre auxilia na diminuição à dor e favorece o estado de saúde e a vitalidade. As 40 mulheres que fizeram duas aulas de dança de ventre por semana, durante quatro meses, apresentaram esses benefícios em comparação a outras 40 pacientes que se dedicaram apenas a exercícios regulares. A explicação é que a autoestima delas ficou mais elevada, o que influenciou seu quadro geral.

Fonte: Saúde UOL

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