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Conheça Mitos e Verdades sobre o Aneurisma.

1) Na maioria das vezes, o aneurisma chega sem sintomas.
VERDADE: a presença do distúrbio é, quase sempre, assintomática. Ele se caracteriza por uma dilatação que ocorre em uma artéria, alteração que pode ficar muitos anos, ou mesmo a vida toda, sem incomodar em nada o indivíduo. “O sintoma só surgirá no caso de distensão intensa ou ruptura, evento extremamente agudo e grave, uma vez que gera uma hemorragia ao redor do cérebro”, explica Leandro Roberto Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia. Importante: quando o aneurisma é pequeno, de até 3 mm, raramente causa problemas, mas deve ser acompanhado porque pode aumentar progressivamente de tamanho.

2) Um dos maiores “sinais” da presença do distúrbio é dor de cabeça persistente.
MITO: como já foi dito, o aneurisma não sinaliza que está lá ou que irá se romper. Uma dor de cabeça crônica persistente geralmente é causada por outros problemas de saúde, como enxaqueca ou cefaleia provocada por tensão. “A dor relacionada ao aneurisma acontece na hora de seu rompimento, sendo aguda, intensa e súbita, podendo apresentar sintomas associados como desmaio, náuseas, rigidez na nuca e intolerância à luz. Em alguns casos, ocorre uma dor ‘sentinela’, que aparece dias ou semanas antes e tem características semelhantes, podendo ser relacionada à atividade física vigorosa ou ter início durante a relação sexual – sendo, portanto, bem diferente das dores crônicas mais comuns”, salienta o neurologista Leandro Teles. De qualquer forma, uma dor de cabeça forte que não passa com medicação nenhuma e que tenha começado de repente deve ser investigada. “É possível que seja consequência da ruptura de um aneurisma cerebral”, completa Paulo Porto de Melo, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

3) O quadro clínico lembra o de outras doenças graves, como infarto.
PARCIALMENTE VERDADE: a intensidade dos sintomas está diretamente relacionada ao tamanho e à extensão do sangramento. O rompimento da artéria em geral causa dor de cabeça intensa – a pior cefaleia da vida do indivíduo -, acompanhada de sinais neurológicos que se assemelham aos de um infarto.

4) O aneurisma em geral é descoberto quando há ruptura de um vaso na cavidade craniana.
VERDADE: muitos pacientes que nunca imaginaram ter um aneurisma cerebral o descobrem no momento da ruptura, uma vez que ele estava silencioso e não incomodava. A presença do aneurisma gera uma fragilidade em determinado ponto da artéria – daí o perigo de o rompimento acontecer com o passar dos anos. “Como a artéria apresenta pressão muito mais elevada do que uma veia, a hemorragia pode ser maciça, levando o sangue a escapar e atingir o líquor, líquido que circunda o cérebro. Consequentemente, há uma meningite, a inflamação das membranas que revestem o órgão”, adverte o neurologista Leandro Roberto Teles. O neurocirurgião Paulo Porto de Melo faz um paralelo entre o aneurisma e uma bexiga de aniversário: “Ele tem um formato semelhante ao dessas bolas festivas, com uma parte estreita, que fica em contato com o vaso, e a outra que vai ‘enchendo’. Da mesma forma que ocorre com a bexiga, quando a artéria enche demais, estoura, rompe e permite que seu conteúdo – no caso o sangue – extravase”.

5) O aneurisma pode acontecer em qualquer idade.
VERDADE: pode acometer até crianças ou bebês. Mas é claro que o problema é mais frequente em pessoas com mais idade, na faixa entre 35 e 60 anos, por tendência familiar ou problemas crônicos de saúde (como pressão alta e tabagismo), que vão enfraquecendo ainda mais a parede do vaso e permitem que o aneurisma cresça, como explica o neurocirurgião Paulo Porto de Melo. “O rompimento não é frequente antes da segunda década de vida, porém, não é impossível”, complementa o neurologista Leandro Teles.

6) As mulheres são mais afetadas pelo problema.
VERDADE: existe a constatação de que a incidência é ligeiramente maior em mulheres do que em homens. “Até o momento, não há explicação científica para este fato”, sustenta Paulo Porto de Melo, que atua no corpo clínico dos Hospitais Albert Einstein, São Luiz e Oswaldo Cruz, em São Paulo. “Acredita-se que há fatores genéticos e hormonais envolvidos”, completa o neurologista Leandro Roberto Teles.

7) Há fatores de risco, como fumo e álcool.
VERDADE: embora a disfunção possa acometer qualquer pessoa, mesmo sem predisposição identificável, é fato que algumas apresentam uma tendência aumentada para a ocorrência e para as complicações referentes ao problema. Nessa lista, estão aquelas cujos familiares sofreram com aneurisma (risco genético familiar), fumantes, hipertensos não controlados, alcoólatras, portadores de doenças do colágeno, de rins policísticos e de aterosclerose nos vasos, conforme explica o neurologista Leandro Teles. “O cigarro destrói as fibras de colágeno, que são fundamentais para conferir maior resistência à parede da artéria. O segundo maior fator de risco é a pressão arterial sem controle, já que distende a parede já frágil do vaso”, completa o neurocirurgião Paulo Porto de Melo.

8) Não há exames que confirmam o diagnóstico.
MITO: alguns, mesmo menos acurados e invasivos, são capazes de dar o diagnóstico, como a angiotomografia cerebral intracraniana. “É como se fosse uma tomografia convencional com contraste”, explica Paulo Porto de Melo, membro das sociedades Americana e Brasileira de Neurocirurgia. Segundo ele, o exame “padrão ouro” para confirmar a doença é a arteriografia cerebral digital, uma espécie de cateterismo dirigido para o estudo das artérias cerebrais que detecta com perfeição todos os vasos e o aneurisma em si. “Tanto a tomografia quanto a ressonância magnética simples com frequencia não enxergam os aneurismas. Cada exame citado tem suas vantagens e limitações, cabendo ao profissional decidir qual se aplica melhor em cada caso clínico”, defende o neurologista Leandro Roberto Teles.

9) Algumas técnicas tratam o aneurisma, como a endovascular e a microneurocirurgia.
VERDADE: o tratamento visa sempre excluí-lo da circulação. As duas principais formas são a embolização endovascular e a microcirurgia. O primeiro caso se assemelha ao cateterismo, em que o médico vai inserindo “molas” no interior do aneurisma para entupi-lo completamente e, dessa forma, eliminar o risco de hemorragia. “O problema desta técnica é que a fragilidade na parede do vaso não é corrigida, permanecendo a possibilidade futura de formação do distúrbio”, explica o neurocirurgião Paulo Porto de Melo. Já a microcirurgia consiste em um procedimento seguro, realizado com microscópio, que envolve a abordagem direta da área com fraqueza na parede da artéria. “O cirurgião coloca um clipe de titânio no local, fortalecendo-o e eliminando de vez o perigo de hemorragia e recidiva do problema”. A embolização é indicada para pacientes com condição clínica ruim, que não suportariam uma cirurgia, ou para aneurismas não acessíveis a métodos microcirúrgicos. “A escolha da técnica depende de uma série de fatores, como risco cirúrgico, localização do aneurisma, tamanho da dilatação, relação entre sua base e seu tamanho, disponibilidade do sistema, experiência da equipe assistente e outros”, completa o neurologista Leandro Teles.

10) Há novidades em tratamentos menos invasivos.
VERDADE: conforme explica o neurocirurgião Maurício Mandel, membro da Sociedade Internacional de Neurocirurgia Minimamente Invasiva, a classe médica está debruçada sobre um protocolo de pesquisa para cirurgia com acesso pela pálpebra, que permite ao paciente ter alta no dia seguinte. “Como a incisão ocorre na dobra da pálpebra, a cicatriz some e o resultado estético é muito bom, com clipagem do aneurisma e praticamente nenhuma chance de sangramento”, diz. Outra novidade, já utilizada fora do Brasil, é um dispositivo que também facilita a resolução do problema. “Trata-se de uma espécie de stent que recobre apenas a fragilidade da artéria por dentro. E, dessa forma, elimina o aneurisma e fortalece a região”, destaca o colega Paulo Porto de Melo.

11) O aneurisma pode causar morte súbita.
VERDADE: a ruptura de um aneurisma pode levar à morte antes da chegada ao pronto atendimento. “Dependendo do fluxo de sangue que escapa pela artéria e da localização do coágulo, a gravidade é extrema e há morte súbita”, ressalta Leandro Roberto Teles. Em 40% a 55% dos casos, o paciente não chega ao hospital a tempo, e 30% podem não resistir após um mês da ocorrência do sangramento.

12) Há diferentes tipos de aneurisma.
VERDADE: há os congênitos e os adquiridos, confirme explica Leandro Roberto Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia. “O congênito é fruto de malformação de determinada artéria, causada por fatores genéticos, podendo ser agravada por aspectos ambientais como hipertensão, fumo e aterosclerose. O adquirido tem origem na hipertensão crônica não controlada, se desenvolve na vida adulta e é de localização mais profunda no cérebro, podendo causar um acidente vascular cerebral do tipo hemorrágico. Há também aneurismas mais raros, como os infecciosos, causados por endocardite, e os pseudoaneurismas (falsos aneurismas), que advêm de machucados na artéria”. O neurocirurgião Maurício Mandel considera que o mais importante, quando se fala em aneurisma, é saber em qual artéria do corpo ele está localizado. Dependendo da artéria, o tratamento é mais simples ou mais complexo. Outro ponto importante é o tamanho: os maiores do que 1 cm de diâmetro têm chance maior de romper. E aí, quando isso acontece, gera o famoso AVCH (acidente vascular cerebral hemorrágico), também conhecido popularmente como derrame.

13) É possível se prevenir do problema com medidas cotidianas simples.
MITO: “Infelizmente, o aneurisma não pode ser prevenido com medidas do dia a dia”, diz Maurício Mandel, enfatizando que o fator genético é o maior determinante para o distúrbio. “No entanto, sabe-se que a hipertensão e o tabagismo são fatores de risco para o crescimento e rompimento de aneurismas, então convém controlar o primeiro e ficar longe do segundo. Agora, em relação a dietas ou atividades diárias, não há o que fazer”. Leandro Roberto Teles concorda: “Resta a atenção ao histórico familiar, a dores de padrão súbito e intenso e à presença de doenças associadas, como o rim policístico. Para tais pacientes, a descoberta em fase assintomática permite o tratamento preventivo para evitar o rompimento durante a vida”. De qualquer forma, ele recomenda manter vigilância sobre a pressão arterial, evitar excesso de álcool e cigarro, cuidar da saúde dos vasos com boa alimentação, fazer exercícios físicos e dar atenção a diabetes e colesterol.

14) Algumas doenças aumentam o risco de formação do aneurisma.
VERDADE: males reumatológicos podem predispor o paciente ao aneurisma. “Considerando que a formação do problema depende da fragilidade da artéria, se a pessoa já tem essa debilidade das fibras elásticas no corpo inteiro, certamente mostra uma chance maior de sofrer com a disfunção”, destaca o neurocirurgião Maurício Mandel. Este é o caso de pacientes com Doença de Marfan (enfermidade do tecido conjuntivo que afeta os ossos, entre outras estruturas), Ehlers Danlos (ou cútis elástica, patologia também do tecido conjuntivo que resulta em um defeito na síntese de colágeno) e rins policísticos. O colega Leandro Teles complementa dizendo que quem tem familiares com aneurisma apresenta risco aumentado, “da mesma forma que quem identifica um aneurisma oferece perigo elevado de identificar outros”.

15) O aneurisma se torna mais perigoso se a pessoa tem histórico familiar de doenças vasculares ou pressão alta.
VERDADE: aneurisma significa que há fragilidade em um ponto da artéria. O rompimento da mesma pode acontecer ou não dependendo de fatores como tempo de vida, distúrbios de coagulação, pressão arterial ou traumatismos. “Quem sofre com pressão elevada tem um risco maior de criar um microaneurisma ou de dilatar e romper um aneurisma congênito. O mesmo vale para doenças que fragilizam o tecido conjuntivo ou problemas nos rins que atrapalham a coagulação e também elevam a pressão. O histórico pessoal ou familiar de dilatações aneurismáticas potencializa o perigo de recorrência, assim como a descoberta de rins policísticos”, explica o neurologista Leandro Roberto.

Fonte: Saúde UOL

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