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Mitos e Verdades Sobre Dor na Região Lombar

1) Uma das principais causas da lombalgia é o excesso de peso.
VERDADE: “Como aumenta a pressão na região, o sobrepeso origina, sim, a dor nas costas”, diz o ortopedista e médico do esporte Maurício Póvoa Barbosa. “Músculos e articulações são sobrecarregados”, completa o também ortopedista e traumatologista Marco Antonio Ambrósio. “Engordar pode ser um fator adicional para a ocorrência, porém não conclusivo”, arremata o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos. Há outros agentes: erros posturais, principalmente, e ainda prática de exercícios abusiva e sem acompanhamento, envelhecimento natural do corpo (já que ossos e músculos perdem densidade, aumentando risco de lesões), falta de condicionamento físico, gravidez, questões emocionais e distúrbios como hérnia de disco, artrose, osteoporose, inflamações pélvicas, leucemia, anemia e males articulares degenerativos.

2) A lombalgia pode atingir as pernas, além da região lombar.
VERDADE: como nosso corpo todo é interligado, salienta o ortopedista Maurício Barbosa, isso pode acontecer. O colega Marco Antonio Ambrósio explica que toda a inervação sensitiva e motora dos membros inferiores nasce no plexo lombosacral. “As raízes nervosas que emergem da medula espinhal atravessam pequenos espaços entre as vértebras, chamados de forames. Se, por algum motivo, tais espaços forem diminuídos e as raízes comprimidas, o indivíduo apresentará dor irradiada para as pernas, a conhecida ciática. As principais causas são as hérnias discais e as artroses lombares”.

3)Nem sempre o exame clínico é suficiente para o diagnóstico.
PARCIALMENTE VERDADE: “O exame clínico é fundamental para saber o que está acontecendo, estabelecendo diretrizes de investigação complementar e posterior tratamento”, defende o ortopedista Marco Antonio Ambrósio. O também ortopedista Maurício Póvoa Barbosa assina embaixo: “o exame pode não ser suficiente, porém é a base de qualquer diagnóstico”. Raio-X, tomografia e ressonância magnética ajudam a mapear o tamanho da lesão e a exata área onde está localizada. Importante: quanto antes diagnosticar e tratar a disfunção, melhor, para evitar complicações maiores e permitir o retorno às atividades diárias normais.

4) Muitas vezes, a lombalgia sinaliza outros problemas de saúde.
VERDADE: a dor nas costas tem origem variada. “Problemas relacionados ao aparelho urinário e ao sistema reprodutor feminino não raro são as verdadeiras causas do distúrbio”, assegura o ortopedista e traumatologista Marco Antonio Ambrósio. Há quem considere a lombalgia não uma doença, mas um sintoma, que aponta desde disfunções na musculatura da coluna até enfermidades sérias – como infecção renal, hérnia de disco e aneurisma de aorta abdominal. Se a dor persistir por mais de três dias, sem melhora, é bom informar ao médico para uma investigação mais profunda. Em tempo: a lombalgia é a principal causa de incapacidade em pessoas de até 45 anos, a terceira mais comum de cirurgias e a quinta de internações. E, em 40% dos casos, os pacientes sofrem de dor crônica.

5)Há dois tipos de lombalgia: a aguda e a crônica.
VERDADE: a forma aguda é o “mau jeito” – a dor é forte e aparece subitamente depois de um esforço físico. “Em geral, ocorre na população jovem”, observa o ortopedista Maurício Póvoa Barbosa, acrescentando que a forma crônica acomete os mais velhos, com dor não tão intensa porém quase permanente. O também ortopedista Marco Antonio Ambrósio completa: “Os quadros agudos estão mais relacionados a traumas e esforços não habituais, enquanto os crônicos se enquadram fundamentalmente nas alterações posturais e nos processos degenerativos em pacientes de meia idade”.

6) Ficar muitas horas sentado, em frente ao computador, pode desencadear o distúrbio.
VERDADE: Permanecer muito tempo na mesma posição, ainda que da forma adequada, pode trazer dor lombar. Por isso, os médicos aconselham alternar períodos de trabalho sentado com pequenas caminhadas e alongamentos. Caso a pessoa sente de maneira incorreta, aí é problema na certa.

7) É possível tratar a dor, e resolver o problema, em poucos meses.
MITO: o tratamento envolve diferentes áreas e mudanças de hábito, dependendo muito da ajuda do próprio paciente. “Na conduta clínica, entra em cena uma somatória de terapias capazes de devolver o bem-estar ao indivíduo, porém este processo demanda tempo e requer a colaboração irrestrita de quem está sendo tratado”, enfatiza o médico do esporte Marco Antonio Ambrósio. Para chegar ao melhor caminho, é preciso avaliar o histórico de cada pessoa e, a partir daí, indicar repouso, medicamentos, fisioterapia, exercícios físicos, RPG (Reeducação Postural Global) e até cirurgia, se for o caso. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser empregados, assim como cuidados cotidianos: evitar movimentos errados, não ficar acima do peso, manter uma postura correta ao sentar e deitar, levantar a cada duas horas em viagens de longa duração, fazer alongamentos ao longo do dia e, após uma rotina com atividades intensas ou quando se ficou muito tempo em pé, deitar com as pernas para cima, apoiadas em um travesseiro, para relaxar a coluna.

8) A atividade física é um dos melhores tratamentos para o distúrbio.
VERDADE: “Quando a origem do problema é muscular, o exercício orientado é uma das mais valiosas armas para combater a dor”, considera o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos. “Além de combater o excesso de peso, um dos vilões da lombalgia, o treino deve incluir alongamento antes e depois, o que sempre ajuda bastante”, completa o ortopedista Maurício Póvoa Barbosa. De fato, indivíduos que realizam atividade física de forma regular e controlada, com bom volume de massa (trofismo) e alongamento muscular, apresentam risco menor de desenvolver quadro de dor nas costas. As modalidades mais indicadas são as de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica, natação, alongamento e abdominais. É importante fazer ginástica sob orientação profissional, com intensidade progressiva para melhorar o condicionamento e fortalecer as regiões atingidas.

9) Na fase aguda, o exercício não é indicado.
VERDADE: neste período, o paciente precisa de repouso e deve evitar os treinos, que poderiam piorar a dor. Uma boa opção para os momentos de crise é deitar de lado, em posição fetal, com as pernas encolhidas. Qualquer movimento de tração, manipulação, torção, alongamento e massagem não são indicados. Mas, tão logo a crise acabe, a prática regular de exercícios deve ser retomada. “Após o tratamento da lombalgia, para evitar recorrência ou piora, medidas de reabilitação, condicionamento físico, correção postural, adequação dietética e controle de peso são muito importantes – e, nesse momento, é ótimo fazer atividades esportivas”, indica o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos.

10) É possível prevenir a lombalgia com cuidados simples no dia a dia.
VERDADE: a correção postural, por exemplo, é a primeira providência a ser tomada, especialmente a maneira como a pessoa senta na escola ou no trabalho. “A prevenção da lombalgia de origem muscular e sobrecarga na coluna começa com controle de peso, condicionamento muscular e ajuste postural nas diversas atividades cotidianas”, sustenta o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos. Várias outras atitudes ajudam, conforme indica o ortopedista Maurício Póvoa Barbosa: evitar carregar peso; não permanecer curvado por muito tempo; quando se abaixar, flexionar os joelhos sem dobrar a coluna; evitar colchão mole ou duro demais, principalmente se o indivíduo é muito magro; prestar atenção na postura em todas as situações, como ao dirigir automóvel, por exemplo; manter um bom alongamento muscular, especialmente das pernas; para quem trabalha em pé, tomar todo o cuidado com a coluna; e, quando fizer exercício com peso, proteger as costas deitando ou sentando com apoio. O público que fica muito tempo na mesma posição deve fazer intervalos para alongar a coluna e minimizar a pressão e o esforço na região lombar. Último toque: tratamentos alternativos, como fórmulas e massagens, só devem ser adotados com o aval do médico especializado no assunto.

11) A cirurgia só é indicada para casos extremos.
VERDADE: em 85% das ocorrências, ela não é necessária. Na grande maioria dos casos, atitudes como perda de peso e atividade física regular, com fortalecimento da musculatura abdominal e alongamento dos membros inferiores, obtêm sucesso. “Quando há uma doença na estrutura da coluna vertebral, afetando áreas como o disco intervertebral, as facetas articulares, o alinhamento das vértebras ou o diâmetro em que se localizam os nervos, opta-se pela cirurgia”, diz o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos. O médico do esporte Maurício Barbosa considera que cada caso deve ser avaliado individualmente, “mas é claro que sempre preferimos tratar sem operação, que só é cogitada quando não há mais opções”. Mesmo dores oriundas pela hérnia de disco, por exemplo, são resolvidas sem intervenção. “Procedimentos cirúrgicos são exceção, indicados para quadros especiais – como escorregamento da vértebra, que é progressiva – , e na falha dos métodos conservadores”, completa o também médico do esporte Marco Antonio Ambrósio. É importante salientar que, se a conduta adequada não for feita, metade dos pacientes que sofrem um episódio de lombalgia terá pelo menos uma nova crise em menos de um ano. Há vários motivos para alguém apresentar o problema e, para saber as melhores terapias, é fundamental que o médico identifique a origem, quer dizer, acerte no diagnóstico.

12) Se tomar remédio para dor nas costas, vou me tornar viciado.
MITO: a maioria dos medicamentos de primeira linha para esta finalidade não são viciantes. Quem afirma é Eduardo Iunes, graduado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita filho (Unesp), com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e membro titular da Sociedade Brasileira de Coluna. “Com diagnóstico adequado, plano de tratamento definido e monitoramento médico apropriado, os remédios ajudam. Se o profissional prescreveu o analgésico codeína, por exemplo, é importante que o paciente compreenda que o fármaco integra um plano de tratamento que inclui outras opções para aliviar a dor, como a fisioterapia e a prática de exercícios físicos”.

13) A disfunção acomete mais os idosos.
MITO: cada vez mais indivíduos de todas as faixas etárias aparecem com dor lombar, conforme ressalta o ortopedista Marco Antonio Ambrósio. Em outras palavras, crianças, jovens e adultos podem sofrer com o problema, apresentando causas e intensidades diferentes. “Na maioria absoluta desses casos, algum distúrbio postural está presente de forma preponderante”. Maurício Barbosa, médico do esporte, concorda. “Atinge pessoas de qualquer idade, ainda mais a nova geração que passa muito tempo em frente ao computador, sentada de maneira incorreta”.

14) Dormir em colchão duro evita a dor nas costas.
MITO: “Todos concordam que colchão muito macio é fator desencadeante da dor lombar. Porém, não podemos afirmar que um colchão inflexível seja fator decisivo na prevenção do mal”, diz Marco Antonio Ambrósio, acrescentando que o recomendável é escolher um modelo adequado ao peso e à altura, firme mas não rígido, para acomodar as costas de forma apropriada.

15) Salto alto é prejudicial à coluna e pode gerar a disfunção.
VERDADE: o motivo é que exige maior esforço da coluna: quando é muito alto, leva a mulher a forçar a curvatura das costas para trás de forma a manter o equilíbrio. “O uso deste calçado aumenta a solicitação sobre a musculatura lombar, e pode ser fator propulsor para a dor”, observa o ortopedista Marco Ambrósio. Paradoxalmente, o sapato sem salto algum também leva ao distúrbio por exigir trabalho extra dos músculos das pernas. Por isso, o ideal é usar o salto baixo, de até no máximo 4 cm.

16) Dores por mais de três meses já são consideradas crônicas.
MITO: “Para ser crônica, a dor precisa estar alojada há mais de seis meses, e sem nenhuma melhora com o tratamento”, esclarece o ortopedista Maurício Barbosa. No mundo, a incidência da lombalgia é impressionante: além do fato de que 85% da população têm ou terão ao menos um episódio ao longo da vida, calcula-se que 40% sofrerão com as dores crônicas.

17) As dores crônicas geralmente atacam pessoas de mais idade.
VERDADE: a explicação é que elas vão evoluindo progressivamente. Embora não sejam tão fortes como as agudas, são praticamente permanentes. “Comumente, o indivíduo mais velho tem quadro de artrose lombar no desenvolvimento da dor”, explica o ortopedista Marco Ambrósio. Vale considerar, ainda, que na terceira idade os discos intervertebrais tendem a diminuir de tamanho por causa do envelhecimento, fazendo com que as vértebras encostem e se esfreguem umas nas outras.

18) RPG é um dos métodos mais eficientes para resolver o problema.
VERDADE: e isso tanto para jovens como para idosos. A abordagem da Reeducação Postural Global propõe uma visão integrada, promovendo a conscientização corporal e resultando em amplitude de movimentos, relaxamento, fortalecimento muscular e consequente alívio da dor. Durante a prática, são empregadas posturas de alongamento muscular ativo e progressivo associadas a respiração e técnicas específicas, restabelecendo a harmonia entre os músculos e interrompendo o ciclo de desenvolvimento de tensões e desconfortos. Assim, corrigindo o mau uso que o aluno faz de seus músculos, ossos e articulações, restitui a boa morfologia e induz a movimentos conscientes.

19) Quanto mais forte e alongada for a musculatura, menos chance de surgir lombalgia.
VERDADE: ficar muito tempo sentado em posições não ergonômicas, e com postura fixa, gera sobrecarga muscular e dor lombar, afirma o neurocirurgião Alexandre Walter de Campos, acrescentando que o condicionamento da musculatura reduz as ocorrências. “Além de diminuir a carga dos músculos, ajuda a não desenvolver dores”, diz o ortopedista Maurício Póvoa Barbosa. O colega Marco Antonio Ambrósio completa. “Os músculos dissipam grande parte da carga aplicada pelo corpo na região lombar. Estando os mesmos fortes e alongados, o peso sobre a coluna é minimizado e, assim, diminuem as chances de se desenvolver dor”.

20) A fisioterapia é indicada quando a dor é persistente e muito incômoda.
VERDADE: neste caso, o paciente deve realizar o tratamento fisioterapêutico diariamente até que a situação geral melhore. Nas sessões, o profissional lançará mão de alguns aparelhos para aliviar a dor e diminuir a inflamação, assim como introduzirá alongamentos e exercícios de fortalecimento muscular. Caso o médico indique, um massoterapeuta ajudará com massagens relaxantes que beneficiam a circulação sanguínea local. O emprego de uma bolsa de água morna, por cerca de 20 minutos, também pode representar grande consolo para os momentos de crise.

Fonte: Uol Saúde

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